De acordo com Freud, a experiência consciente durante o sono, chamado de sonho, é apenas o resultado final de uma atividade inconsciente mental. Já Gastão Pereira da Silva define o sonho como a “substituição ou suavizamento de uma realidade que nos é hostil”. Se transpusermos essas definições para as nossas próprias atitudes e nossa forma de enxergarmos nossos relacionamentos, podemos relativizar os nossos conceitos. Ou seja, o que buscamos no outro é realmente real?? Quando nos apaixonamos deixamos que esse estado inconsciente, que nos é tão “pessoal e intransferível”, encobrir nosso lado racional? Acreditamos que sim...
Alguns dizem que não existe mágica, mas achamos que se ela não existisse não haveria como definirmos esse processo de encantamento que faz com que outro ser humano se encaixe perfeitamente nos nossos planos e na nossa vida. E se isso fosse um processo consciente, por que não conseguimos escolher por quem nos apaixonamos? Seria tão fácil... Mas não é. Não é fácil e nem racional. Por mais que a ciência procure explicações biológicas para esse processo, o que também acreditamos serem reais, como os feromônios, por exemplo, achamos que um fator muito importante e presente na maioria das nossas escolhas é a idealização. Não estamos falando só da idealização da pessoa, mas da situação em si. Quer dizer, muitas vezes temos grande dificuldade de entender ou de nos desapegarmos de um relacionamento “fracassado”, pois não encaramos a verdade de que já não dava certo, mas o que achamos ser tão ideal e perfeito nos cegou para a chamada “realidade hostil”, da qual tentamos fugir em nossos sonhos.
Se nos afastamos um pouco e seguimos com a vida parece que tudo nos parece mais claro, quando na verdade o mundo de liberdade criativa dos nossos sonhos já não é o mesmo e, agora o que nos era ideal já não faz mais sentido e aquelas perguntas retóricas que fazemos no fim e nos impedem de “cair na real” agora tem uma resposta: é... Não era tão perfeito! Ele não era ideal. Mas não foi só culpa da idealizadora, mas também de quem se apresentou como o ideal. Confuso?? Não, muito simples... Afinal, aos poucos conhecemos os gostos e as vontades do nosso companheiro, e nos moldamos a isso, esquecendo que uma hora essas diferenças vão surgir inevitavelmente e o mundo colorido fica preto e branco, inflexível. Aquela situação inicial agora já não é mais cômoda e confortável, quando na verdade poderia ter sido mais fácil: se você não sabe falar uma língua, então peça a legenda!! Por que é tão difícil entender que a sinceridade torna tudo mais real? Talvez porque as pessoas ainda prefiram a perfeição e o sonho ao verdadeiro. Como diria Carlos Drummond de Andrade, “a tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos” e se não fossem por eles (os desejos), não haveria também tantas frustrações.
Fonte de pesquisa: http://www.pregaapalavra.com.br/monografia/sonhos1.2.htm
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