segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Sonhei que o fogo gelou, sonhei que a neve fervia, e por sonhar o impossível, sonhei que tu me querias"

De acordo com Freud, a experiência consciente durante o sono, chamado de sonho, é apenas o resultado final de uma atividade inconsciente mental. Já Gastão Pereira da Silva define o sonho como a “substituição ou suavizamento de uma realidade que nos é hostil”. Se transpusermos essas definições para as nossas próprias atitudes e nossa forma de enxergarmos nossos relacionamentos, podemos relativizar os nossos conceitos. Ou seja, o que buscamos no outro é realmente real?? Quando nos apaixonamos deixamos que esse estado inconsciente, que nos é tão “pessoal e intransferível”, encobrir nosso lado racional? Acreditamos que sim...

Alguns dizem que não existe mágica, mas achamos que se ela não existisse não haveria como definirmos esse processo de encantamento que faz com que outro ser humano se encaixe perfeitamente nos nossos planos e na nossa vida. E se isso fosse um processo consciente, por que não conseguimos escolher por quem nos apaixonamos? Seria tão fácil... Mas não é. Não é fácil e nem racional. Por mais que a ciência procure explicações biológicas para esse processo, o que também acreditamos serem reais, como os feromônios, por exemplo, achamos que um fator muito importante e presente na maioria das nossas escolhas é a idealização. Não estamos falando só da idealização da pessoa, mas da situação em si. Quer dizer, muitas vezes temos grande dificuldade de entender ou de nos desapegarmos de um relacionamento “fracassado”, pois não encaramos a verdade de que já não dava certo, mas o que achamos ser tão ideal e perfeito nos cegou para a chamada “realidade hostil”, da qual tentamos fugir em nossos sonhos.

Se nos afastamos um pouco e seguimos com a vida parece que tudo nos parece mais claro, quando na verdade o mundo de liberdade criativa dos nossos sonhos já não é o mesmo e, agora o que nos era ideal já não faz mais sentido e aquelas perguntas retóricas que fazemos no fim e nos impedem de “cair na real” agora tem uma resposta: é... Não era tão perfeito! Ele não era ideal. Mas não foi só culpa da idealizadora, mas também de quem se apresentou como o ideal. Confuso?? Não, muito simples... Afinal, aos poucos conhecemos os gostos e as vontades do nosso companheiro, e nos moldamos a isso, esquecendo que uma hora essas diferenças vão surgir inevitavelmente e o mundo colorido fica preto e branco, inflexível. Aquela situação inicial agora já não é mais cômoda e confortável, quando na verdade poderia ter sido mais fácil: se você não sabe falar uma língua, então peça a legenda!! Por que é tão difícil entender que a sinceridade torna tudo mais real? Talvez porque as pessoas ainda prefiram a perfeição e o sonho ao verdadeiro. Como diria Carlos Drummond de Andrade, “a tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos” e se não fossem por eles (os desejos), não haveria também tantas frustrações.

Fonte de pesquisa: http://www.pregaapalavra.com.br/monografia/sonhos1.2.htm

domingo, 11 de julho de 2010

"Porque nem toda feiticeira é corcunda..."

Durante um típico feriado em São Paulo, regado de cerveja, amigos e pizza, como de costume a conversa chegou no polêmico assunto: relacionamentos. Sobre esse tema apareceram diversas perspectivas, como homens que não se apegam, mulheres ciumentas e obcecadas pelo casamento, solteirões convictos, o papel da família em meio a isso tudo, a mulher monstro, enfim, as relações amorosas e seus clichês.
Aqui abordaremos duas visões: a do típico relacionamento sonhado pelas mulheres em seus contos de fadas e a desconstrução do conceito de mulher monstro. Acho que todos já conhecem a famosa história da Bela Adormecida. Hipocrisias à parte, o que se esconde por trás do lindo final feliz é a estereotipada imagem da bela mocinha esperando ser beijada pelo príncipe encantado, enquanto isso a mulher monstro caracteriza-se pela frustração de um relacionamento falido que a tornou o terror de todos os homens, ou seja, a mulher baladeira.
Por que monstro? Não, acreditamos que a mulher de hoje não é um fruto de uma escolha errada masculina, aliás, nós temos também o poder de decisão e o nosso conto de fadas é mais do que esperar pelo homem certo, é ter o direito de estar sozinha, ou melhor de querer estar sozinha.
Muitas de nossas colegas buscam desesperadamente seu final feliz e para isso envolvem-se constantemente com homens que não gostam. É claro que também sonhamos com família e uma vida estável, porém nossa prioridade é ser feliz independente de qualquer imposição social. Frequentemente ouvimos reclamações sobre a canalhice masculina, sobre como eles são culpados pela carência delas e como eles nunca nos entendem. Mas é claro, que esse julgamento vem de relacionamentos que não funcionaram, o que precisamos entender é que isso não é a regra e que estar com alguém vai além de um final feliz. Eles acham que não se pode encontrar a mulher ideal na balada, eles a enxergam como a garota que se frustrou e resolveu pegar o que há de "pior" no homem.
Para tudo!!! Como assim de "pior"???Pegar balada, beber, rir, dançar e curtir um momento com alguém é ruim??? Não, se é bom para eles é bom para nós também. Sair com as amigas para beber e falar bobagem é uma conquista nossa e deve ser valorizada e não vista como algo amoral. Aquele papo furado do caranhão e da vagabunda não cola mais, a vulgaridade do ato está nos olhos preconceituosos de quem vê.
Afinal de que adianta escolhermos nossos parceiros se somos vistas como a escolha deles???
Não queremos ser iguais, queremos poder escolher, fazer exatamente aquilo que nos satisfaz sem sofrer com o típico machismo que perdura dos séculos passados.
O importante é deixar essa hipocrisia de lado e sermos felizes, cada um a seu modo, sem PRÉconceitos!!!!!


Alguns filmes: O sorriso de Monalisa, As horas, 500 dias com ela, Ele simplesmente não está tão afim de você.


Estamos abertas para mais sugestões sobre o assunto, afinal as idéias são construídas e nunca impostas...