quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Todo amor que houver nessa vida", Cazuza

Bom, não sei quem leu o texto enviado pelo Mateus, “Felicidade realista”, mas quando eu li achei que se encaixava muito bem na minha atual situação. Basicamente o texto fala sobre as exigências que fazemos a nós mesmos e a nossa vida. Quer dizer, talvez seja culpa da TV e essa indústria do poder que influencia os nossos valores e desejos, a verdade é que não nos satisfazemos com as pequenas alegrias...queremos mais...queremos tudo. Já conversei muito a respeito desse assunto e minha mãe constatou algo: parece que as novas gerações estão cada vez mais infelizes e precocemente frustradas. Talvez porque a própria sociedade exija a nossa total dedicação e um pouco mais, afinal o mundo mudou e só ir pra faculdade não basta...você tem que se especializar...mas atualmente muitos se especializam, então você tem que ir pro exterior, mas também não é o suficiente..nunca é o suficiente: tecnologia, internet, línguas, moda, saúde, magreza, dinheiro, casamento, filhos, amor...SOCORRO!! Antigamente não eram tantos requisitos indispensáveis simplesmente para se iniciar uma carreira. Mas a verdade é que nós criamos uma ilusão a partir de exceções prematuramente bem sucedidas. Quando eu disse que isso se encaixa na minha vida nos últimos tempos (já não sei bem desde quando) é porque eu sou a maior prova de ansiedade (sim, pra quem acredita em astrologia...eu sou de áries), mas toda essa insegurança acaba quando eu estou perto das meninas, dos meus amigos, da minha família e isso é o que importa!! Portanto, qual a única resposta pra isso tudo??A VIDA...mas não esse conceito vago...eu digo vida no seu sentido mais simples: o dia-a-dia, que por mais difícil que seja ainda vale a pena. É por isso que eu e as meninas sempre buscamos tirar o melhor proveito das situações, mesmo que isso signifique chorar muito por um canalha! É só um sinal que estamos vivas, que amamos e sofremos com toda a intensidade possível e como tudo na vida, está suscetível ao fim. Mas não pense que é fácil ser tão intensa! Muitas pessoas não entendem, não aguentam a barra de ficar com alguém que se aceite e não problematize todas as situações. A Maria tem teorias malucas, mas com certeza ela tem razão: é tudo culpa do Dawson’s Creek!!

“...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.”

Clarice Lispector

Reflexões da Mari...

domingo, 12 de setembro de 2010

A zona de conforto

Há uma questão sempre levantada entre os amigos: quando você terá coragem de enfrentar a realidade e acabar com o seu relacionamento falido. Sim, sempre há um amigo na roda que se cansou do namorado/a, já não suporta mais a relação, mas não consegue colocar o ponto final. Exatamente nesse momento o nosso amigo está na zona de conforto. Isso significa que o relacionamento está estabilizado, tudo está na mais perfeita rotina, inclusive as brigas não mudam o tópico, é sempre a mesma coisa. Você não consegue se libertar porque parece não haver razão para isso, afinal vocês têm uma história juntos, momentos marcantes e felizes, além do mais as famílias estão envolvidas, não é fácil encarar a todos e dizer que simplesmente não funciona, que perdeu o tesão, porque poucos vão acreditar, sempre pensarão que há algo mais, como alguém na parada, pois uma relação tão sólida não poderia acabar assim. Mas a verdade é que vocês se acostumaram um com o outro, os programas são os mesmos: jantar em casais, cinema, uma vez por semana cerveja/futebol com os amigos, uma baladinha de vez em quando para animar ou uma ida ao motel. A rotina não é tão ruim, porque você tem carinho e respeito e, o sexo é sempre do jeito que você gosta, também, tanto tempo juntos fez com que aprendessem o ritmo e gostos um do outro. Realmente não é fácil abrir mão da zona de conforto, principalmente quando pensamos no domingo a tarde de ressaca sozinhos. Não. Difícil é arrastar essa situação, difícil é manter alguém ao seu lado por puro comodismo, nenhum fim é fácil, mas ser sincero é imprescindível, principalmente consigo mesmo. Não é tão ruim assim, você terá novas experiências, conhecerá outras pessoas, terá novas sensações e até poderá começar tudo outra vez com alguém que faça com que a rotina nunca perca do tesão. A vida é feita de escolhas, o mais importante é fazê-las de modo que possamos ser felizes.

“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.”

William Shakespeare